Quarta, 24 Novembro 2021 07:40

Justiça condena dois envolvidos em execução de adolescente com deficiência mental em Roraima

Fonte G1/Redação
Josué Oliveira da Silva, na época com 16 anos, foi executado em tribunal do crime, em julho de 2019. O corpo dele foi encontrado com um corte no pescoço no Anel Viário, zona Rural de Boa Vista. Josué Oliveira da Silva, na época com 16 anos, foi executado em tribunal do crime, em julho de 2019. O corpo dele foi encontrado com um corte no pescoço no Anel Viário, zona Rural de Boa Vista. Foto: Arquivo Pessoal

O Tribunal do Júri condenou nessa segunda-feira (22) dois envolvidos na morte do adolescente, Josué Oliveira da Silva, de 16 anos, em julho de 2019, por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e crime de organização criminosa.

À época do crime, Josué, diagnosticado com distúrbio mental, foi acusado pelos assassinos de ser integrante de uma facção rival e foi executado no "tribunal do crime". Entretanto, segundo a delegada Eliane Gonçalves, responsável pelas investigações, o garoto era inocente e não tinha envolvimento com o crime organizado.

Na decisão, o júri acolheu os pedidos do Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) e condenou um dos suspeitos a 18 anos e 3 meses de reclusão e o outro a 21 anos e 10 meses, em regime fechado.

Durante a sessão, os jurados também acompanharam o MPRR e absolveram outro réu por falta de elementos que comprovassem o envolvimento direto no crime.

De acordo com o MPRR, Josué Oliveira foi submetido a "julgamento" no Tribunal do crime, sob a falsa justificativa de que pertencia a uma facção rival. Diversas mensagens, inclusive um vídeo, descreviam a ação criminosa do grupo.

Segundo o Promotor de Justiça, Diego Oquendo, outros dois réus também vão a julgamento na quarta-feira (24) por envolvimento no crime.

"A vítima, em verdadeiro ato de desumanidade e crueldade, foi, de maneira brutal, assassinada por criminosos. É papel do Ministério Público, para além de garantidor da ordem jurídica, buscar, nessas situações, levar um pouco de conforto e de justiça aos familiares da vítima e à sociedade", destacou o Promotor.

O caso

Na época, um vídeo divulgado nas redes sociais mostrava o rapaz afirmando fazer parte de uma facção criminosa. Segundo a Polícia Militar, o corpo do adolescente foi encontrado com um profundo corte no pescoço.

Uma investigação da Dicap apontou que a vítima não sabia do que estava falando, e só repetiu o que os envolvidos estavam dizendo a ele.

Em agosto de 2019, um foragido da Justiça identificado como Werlyton Silva Santos, foi preso em Boa Vista. Ele era investigado por envolvimento no assassinato do adolescente e é apontando como o responsável por planejar o crime e degolar o garoto.

Na época, outros oito envolvidos no crime foram presos e encaminhados para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc).

Cada um teve uma participação no homicídio, mas Werlyton Santos, atuou efetivamente em todos os momentos do crime: da captura da vítima à execução, informou o secretário de Justiça e Cidadania, André Fernandes. Apesar das denúncias pelos outros oito presos, Werlyton negou o envolvimento no caso.

O corpo da vítima foi encontrado no balneário Urubuzinho, localizado no entorno do Anel Viário, na zona rural de Boa Vista. Segundo a família, ele tinha distúrbios mentais e desapareceu após sair de casa por volta das 16h para vender alumínio.